sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O OBSERVADOR apresenta INTERVENÇÃO


SENADO DESAPARECE SOB CIRCUNSTÂNCIAS MISTERIOSAS

Eis a notícia miraculosa que inundou os jornais do Brasil nos últimos dias, notícia de renovado calibre, de surpresa estarrecedora e de há tempos desejada. Sei que não é muito democrático sumir com um senado, especialmente nesse país de governo tão decidido, mas não aguentei ficar aqui, nessa cátedra eterna, sem fazer nada.
Vi, com horror, tamtos escândalos e abominações que não pude deixar de intervir.
Em meu código de ação, dado por quem me é superior, afirma que não posso intervir na história de vocês, mas, nessa ocasião tive que agir, tive que fazer o senado desaparecer...perdoem-me os incautos, perdoem-me os correligionários dos dois partidos unidos...perdoem-me todos os que quiserem me perdoar. No entanto, acho que o meu pedido de perdão não é tão correto já que não estou arrependido do que fiz.
Sim, fiz o senado de vocês desaparecer...e não vou trazê-lo de volta tão cedo.
Perdoem-me, mas estou indignado!!!
E, confesso, isso me deu um pouco de prazer. Sumindo-se com o objeto, some-se com os escândalos. Não sou obrigado a observar esses atos, sendo eles secretos ou não, não sou obrigado a observar esses nepotismos e não sou obrigado a observar crimes sendo "perdoados" por causa de alianças políticas.
Sou um observador, mas não sou obrigado!
Deixem que depois eu me entendo com meu superior.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O POETA apresenta OS CONTOS DO OPERÁRIO ATUAL


Meu sangue escorre
Ao redor do moinho inchado do vento...
Todas as noites são longas...
E minhas tardes são escravas do relógio...
Cruel insígnia a minha!
Essa que eu nem sei qual é!
Mas finjo saber.

Onde está a salvação prometida do pobre?
Pois, plebeu sou
E só vejo felicidade
Em quem algo tem

Meus mundos, mundos de luas
Minhas luas de estrelas
Minhas estrelas, eu não conheço...
O sofrimento continua!

E eu tolo!
Eu finjo acreditar, e de fato acredito,
Que a esperança não me abandonará
Assim espero...
Ou finjo esperar

Ainda escorre o sangue do moinho...
Ainda há pessoas vivas
Ainda há pessoas mortas


E clama o repúdio sem vida
Vive o refúgio que clama

Ainda inchado do vento...
Ainda há Santos vivos
Ainda há Santos mortos

E eu trabalho tarde,
E finjo ter felicidade
Aonde estão as promessas de
34 vezes sem juros de salvação?

E continuo eu...
Estúpido!
Sonhando em viver de verdade...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O POETA apresenta REFLEXO


Ele olha o espelho
O espelho o reflete
Mas ele não confia no reflexo
Ele não conhece e refletido

Mesmo assim ele olha
E mesmo assim o espelho reflete
Reflete a mentira desconhecida
Ou reflete a verdade negada

Ele não sabe que o que o espelho reflete
E é essa a pergunta que o aflige
Se ele soubesse não estaria olhando
Esse espelho de maus reflexos

Será que o espelho mostra a verdade?
Então porque nunca sou o mesmo no espelho?
Será que minhas mudanças são captadas
Em menos de algumas horas de dentro para fora?

O espelho me engana ou eu engano o espelho?
Será eu mesmo esse ser refletido?
Ou eu serei outro refletido em outro espelho?
Espelho de outra pessoa que se Vê como eu.

Ele olha o espelho
O espelho o reflete
Mas ele não confia no reflexo
Ele não conhece o refletido.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O FILÓSOFO apresenta QUANDO TUDO SE APAGOU


Eu estava sentado no banco central da praça mais bela da cidade. Estava sozinho, por vontade própria, assim poderia observar e ver todas as coisas que me cercavam.
Crianças jogando bola, árvores frondosas, canteiros com flores coloridas, passarinhos comendo migalhas de pão, pessoas de todos os tipos passando...
Resolvi olhar mais profundamente e vi mais coisas ainda:
Uma bola de futebol deixar suas marcas na grama, as flores que começavam a nascer nas árvores, as abelhas e as borboletas nas flores do canteiro e os pequenos pedaços de migalhas que caiam do bico dos passarinhos.
Tudo estava nítido, claro, lúcido e visível, mas, de repente, o absurdo dos absurdos aconteceu...ouvi um clic, de interruptor sendo desligado, e tudo se apagou! E foi exatamente assim, como se alguém tivesse desligado um interruptor, juro que escutei o som e nada mais vi depois.
Eu sabia que não estava cego, simplesmente alguém apagou o mundo e nós ainda estávamos nele. Fiquei imóvel, continuei sentado.
Era estranho, não havia mais som algum, a não ser o de uma brisa leve passando, não havia mais o som de crianças, nem de pessoas, nem de pássaros, nem de nada do que antes havia. Tudo estva incondicionalmente apagado diante de meus e de nossos olhos.
Quem desligou a nitidez de tudo?
Quem?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O ESTUDANTE apresenta CAMPANHA CONTRA FÉRIAS OCIOSAS


Essa postagem pode ser pulada pelas pessoas de maior sensibilidade, não que haja algo ruim nela, é que esta é uma espécie de vingança virtual quanto a uma ofensa recebida...

Dedicado a Ray Charles Dexter Wilde...
Eis aqui a vingança pública...

Você está de férias, certo? Deveria estar feliz com isso, mas quando olha para o seu dia é invadido por um tédio infausto, pelo simples fato de não ter o que fazer?
Suas oportunidades estão limitadas à internet, livros, brincadeirinhas com parentes mais novos feitas quase sem vontade mas com muita caridade?
ou a coisa pode estar pior, pode ser que você more em uma cidadezinha muito pequena, uma cidadezinhazinha mesmo, com uns três mil habitantes (Com o número arredondado pra cima ainda!)...
E, vendo esses pontos lastimosos você realmente não tem escolha a não ser tirar férias ociosas, cheia de atos perfunctórios...
Calma...não precisa chorar, para sua alegria, eu, o estudante, tenho algumas dicas para reverter essas férias tediosas. Para maiores informações publiquei um livro que tem como título: Férias, o que fazer no lugar onde Judas perdeu a bota? O subtítulo é: Divertindo-se no fim do mundo!
Como me disponho desse espaço, vou postar algumas dicas retiradas diretamente desse meu futuro bestseller, eis aqui a primeira...
1: Faça o recenseamento da sua cidade

Isso mesmo,o recenseamento. Com certeza essa atividade será divertida poderá até te render um prêmio da prefeitura municipal (se essa existir em sua cidade).
Passe de casa perguntando sobre os moradores, idade, sexo (no caso de não ter certeza, sabe), escolaridade e outras coisas do tipo: Vocês tem eletrodomésticos? quantos? Só não se surpreenda com a resposta-pergunta: O que É eletrodomésticos?
Pergunte também o que eles gostariam que tivesse na cidade (Sabe, eu gostaria muito que a lâmpada elétrica chegasse na cidade, eu fui visitar minha tia e, meu Deus, que maravilha que é essa coisa, eu...)
É, a situação deve estar feia mesmo...
No entanto, cuidado: Lembre-se de fazer o recenseamento de um quarteirão por dia, para que a diversão dure os dois dias que deve durar.
rsrsrsrsrsrsrsrs!
"Vingança é vingança", eu não sou o poeta, que sempre pede desculpas, mas vou pedir. Desculpem-me, usei o blog para fins ilícitos...no entanto...
Mal feito, feito!

domingo, 28 de junho de 2009

O POETA apresenta CRISE


Ah!Ah!
Meu tecido de ouro se rasgou,
minhas moedas se espalharam pelo chão,
minha honra se igualou a de um cão.

Ah!Ah!
Minha sina tão bem escrita
De meu império tão bem sustentado
Assim tão facilmente derrubado.

Ah!Ah!
Vi um rio verde de números escorrer pelo chão,
Vi faces distorcidas um quadro olhando
Vi os mesmos homens assim gritando:

Ah!Ah!
Ah!Ah!

Também vi anônimos chorando,
Seu igual desespero pelo mundo se espalhando
Suas esperanças não existentes
Pelas ruas se dissipando.

Ah!Ah!
Quanto mar verde desapareceu,
Quantos desertos então surgiram,
Quanta fragilidade foi descoberta.

Ah!Ah!
os anjos devem olhar estarrecidos
Para esse império decaído
Nessa terra de fatos errados,
Que mergulhada no abismo
Se ergue vitoriosa da crise se orgulhando.

É, não se preocupe,
Eu também não entendi essa estrofe.
Mais uma vez, nessa página imaterial,
Peço desculpas: Desculpem-me.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O OBSERVADOR apresenta EXPLOSÃO


Eu sempre estou aqui, sentado nessa cátedra eterna, flutuando sobre essas nuvens que nunca se extinguirão. Permaneço aqui, todos os dias, de todos os anos, de todas as eras, de todos os sempre.
Como me é necessária a apresentação, sou chamado de o Observador, e antes que surjam algumas dúvidas desagradáveis, eu não sou Deus. Sou o que simplesmente observa das nuvens. Não sou homem, não sou divino, mas sou metafísico no sentido mais intrínseco possível cabível a essa palavra.
Feitas as apresentações, vamos ao que realmente interessa...
Eu estava observando tudo, passei meus inúmeros olhos pelos cantos da terra atrás de algo que me interessasse. Na vida dos homens há sempre algo interessante que potencializa a vida que eu não tenho por não existir. Mas, como dizia, passava meus olhos pela terra, até que encontrei algo de anormal.
O anormal daquele dia era um menino que brincava de bola com o nada, com o invisível de sua imaginação fértil. É claro que naquele momento havia mais coisas acontecendo, no entanto, aquele menino tornou-se o centro de minhas atenções sempre vigilantes.
Olhei...
A bola rolava pela grama e o menino vibrava com o vazio, a forma como ele jogava fazia aparecer ao seu redor uma multidão de torcedores em uma provável copa do mundo bem distante. Era interessante, o menino estava feliz, alegre e assim como eu, sozinho. Mas a solidão dele não era triste, pelo contrário, era uma solidão acompanhada, acompanhada por fantasmas.
Na verdade eu observava essa solidão acompanhada que me dava um novo conceito do uso criativo da imaginação. mesmo assim, não me alegrei, aliás, nunca me alegro, só observo.
E eu também estava observando quando a bomba caiu e destruiu o campo e a copa imaginários do menino. Não deixou nada, levou tudo. Esse menino experimentou a solidão do real quando a bomba explodiu.
BUMMMMMMMMMMMMMM!
Que bomba terrível é isso que os homens chamam de vida adulta.